Titre de séjour ou Autorização de residência

Nous sommes tous en “transit” permanent. Qu’un homme soit blanc, noir, jaune, peu importe. Il est de toute façon un être potentiellement “exilé”

titre de séjour

Obra de Barthélémy Toguo, exposta no Musée de l’histoire de l’immigration em Paris

“Estamos todos em ‘trânsito’ permanente. Que um homem seja branco, negro, amarelo, pouco importa. Ele é, de qualquer maneira, um ser potencialmente ‘exilado'”, são as palavras de Barthélémy Toguo, o autor da instalação acima. Quem já tentou viver em um país estrangeiro se identificará facilmente com a imagem. Entre folhas de passaporte, carimbos e selos fiscais, o sentimento de insegurança sobre um futuro que fica sempre a mercê da decisão das autoridades.

Já fazem mais de 2 anos que pisei por aqui pela primeira vez. E foi depois de 1 ano que consegui um status que me desse o direito à um documento para trabalhar. Agora, depois de 10 meses esperando, tenho o tal documento em mãos, mas ele vence em dois meses. Então lá vou eu de novo agendar mais uma reunião pra pedir a renovação do documento. Mais tempo, stress e dinheiro. Parece que a ideia é nos fazer lembrar sempre que a gente não passa de imigrantes, ou seres potencialmente exilados, como diria Toguo.

ah o Mediterrâneo… sempre salvando nosso verão.

O verão está quase acabando na europa, e finalmente conseguimos tirar duas semanas de férias neste mês de agosto.

Porém aproveitar o verão no oeste da França não é fácil. A Bretagne é o estado da França com a maior faixa litorânea, cercado por água no norte, sul, e oeste. Seria o lugar perfeito para curtir uma praia. O problema é que o clima não ajuda nada.Durante o verão são raros os dias que a temperatura passa os 25 graus, além das águas geladas e dos ventos. Tolerável pra quem vive aqui, mas não pra gente que fica na espera de um verão tropical.

Solução mais próxima: sul da França, mas nada melhor que conhecer um país novo. Então, um pouquinho mais abaixo chegamos à Catalunya!

Mais de 1000 km pela frente, a ideia foi fazer a viagem por partes. Mas programar viagem encima da hora sai caro. Também não tínhamos tempo suficiente pra nos aventurar pedindo carona na estrada. A opção mais em conta nessas horas é a “covoiturage” (carona paga). Tem um site onde a galera que viaja de carro anuncia as vagas que tem em seus carros, elas propõe um trajeto e quem se interessa reserva, e marca um lugar de “embarque” e “desembarque”. E funciona mesmo encima da hora.

De malas feitas, saímos de Rennes meia noite. Dormimos a noite inteira no carro e chegamos perto das 8h00 em Narbonne, no sul da França. Nossa próxima carona ia sair de lá as 18h00. Tínhamos 1 dia para um rolê na cidade.

Catedral que nunca foi acabada. Em estilo gótico, começou a ser construída no século XIII.

Catedral que nunca foi acabada. Em estilo gótico, começou a ser construída no século XIII.

Dando uma volta pelo centro, conhecemos a cidade rapidamente. Ainda assim, o tempo era apertado, e pegamos um ônibus para ver a praia. Nada de muito especial e nem estava quente o bastante para querer entrar na água. Partimos então para Barcelona. Nosso sonho de verão.

Chegamos em Barcelona umas 21h00 e passamos a primeira noite no albergue de jovens. No dia seguinte demos umas voltas sem rumo pela cidade antes de ir para o acampamento na cidade vizinha de Gavà.

Nem preciso dizer que a cidade é linda, só a praia do centro mesmo que não é das melhores, no estilo praia urbana. Não é a toa que escolhemos um acampamento de frente pro mar, pelas redondezas de Barcelona. Enfim, terminando o dia, fomos pra Gavà. Chegamos no acampamento já de noite, e na escuridão ficamos um bom tempo quebrando a cabeça até conseguir montar nossa barraca. Abaixo, registro pós momento tenso.

Longe da cidade, sem computador, sem celular (até pq o do ori foi roubado lá haha), resumindo, só com o básico, tudo pra poder relaxar.

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Ah e que gostosos foram esses dias, dormindo juntinhos na barrada, abrindo ela demanhã e vendo o sol brilhar acima das árvores, indo pra praia e tomando uma cervejinha gelada na areia.

Bom, mas uma hora a gente tinha que lembrar que estávamos do lado de Barcelona e que era hora de um rolê urbano.

Continuando à toa pelas rua de Barcelona, sem querer esbarramos num restaurante vegan, o Veggie Garden. Não pensamos duas vezes e acabamos almoçando ali mesmo, entrada+prato+sobremesa+vinho saiu por € 8,50. Nada mal. E depois, mais umas voltas pelo bairro gótico, não entramos em quase nenhum ponto turístico, pois tudo era pago e caro. No fim da tarde subimos o morrão do bairro Gràcia, um dos mais legais de Barcelona, pra então chegar no parque Güell, mais um pico pra turista rico. Soube que antes as paradas não eram pagas, e não sei porque agora tá rolando isso. Por todas as entradas do parque era possível ver mensagens de boicote ao local, que antes era aberto à todos e agora só serve à uma pequena parcela burguesa. Do alto do morro, a vista da cidade. Encostado ao morro o teto de um squat representando a resistência local.

De volta ao nosso cantinho calmo, no dia seguinte fomos pro centrinho da cidade de Gavà. Batemos um rango numa lanchonete de empadas artesanais. Não deu pra resistir quando passei em frente e vi o senhor amassando a massa fresquinha. Pra terminar o dia, mais praia!

Último dia em Barcelona foi ao lado de uma agradável companhia. A Giulia foi uma colega de faculdade que está vivendo em Barcelona no momento. Nos levou pra comer tapas deliciosas, dar rolezinho no parque da Ciutadella, passando na praia de barceloneta e terminando no bairro Gràcia, a parte mais surpreendente do dia. Tivemos a sorte de estar lá bem no final de semana que começa a Festa Major, a festa popular mais importante de Barcelona e que acontece pelas ruas do bairro. Porém, tivemos o azar de partir bem na véspera da festa que inicia oficialmente 15 de agosto, feriado religioso. Ao menos, pudemos ter um gostinho do que acontece durante a festa. Todo ano as ruas são decoradas com materiais reciclados pelos próprios moradores, conseguimos ver algumas montagens e o pessoal trabalhando super empenhados. Na sorte ainda conseguimos ver uma demonstração de Castells, o castelo humano, que é uma manifestação bem tradicional na Catalunya.

Por fim, às 4 da manhã pegamos nossa penúltima carona de volta pra casa, chegando meio dia em La Rochelle (sudoeste da França), onde passamos uma noite na casa de nosso amigo Ruy. Cidade portuária e muito bonita, mas totalmente lotada de turistas. Ainda quero voltar lá pra curtir as paisagens.

Enfim, as férias acabaram e agora de volta ao trabalho.

sobre menstruação e contracepção

As dúvidas em relação a contracepção percorrem boa parte da nossa vida, e o acesso à informação durante nossa adolescência, e mesmo na vida adulta, ainda é limitado. Por isso nunca é tarde ou demais falar sobre esse tema, e mesmo relatar nossas experiências, compartilhar nossas descobertas e dúvidas. Bom, é isso que venho fazer aqui neste momento.

 

A primeira menstruação e o início da adolescência são os primeiros eventos que levam as meninas na nossa sociedade a pensarem sobre o primeiro método contraceptivo. As razões podem ser várias, mas as mais frequentes são excesso de espinhas, efeitos da TPM, cólicas fortes, menstruação desregulada, início da vida sexual, cisto no ovário, etc. No meu caso menstruei aos 11, e aos 16 anos o motivo para tomar a pílula anticoncepcional foi o início de namoro. Em agosto de 2013, passados 7 anos, com 24 anos e em um relacionamento de 8 anos, eu decidi parar. Nesta época eu já estava casada, mas a finalidade não foi a de engravidar. Eu decidi dar um tempo com os medicamentos e perceber as respostas do meu corpo. É claro que estar em um relacionamento sólido me deu mais segurança para me aventurar neste experimento sem que seus riscos abalassem a minha nem a nossa vida. Além do mais, eu estava na França, especificamente na região da Bretagne, onde o suporte a questão do aborto funciona muito bem.

contraceptivos-comuns

Entre os métodos de contracepção mais comuns, a camisinha nunca esteve muito presente em nossa relação, por diversas razões como ser desconfortável, cortar o clima, ser anti-ecológico, etc. Fizemos os exames de DST logo no início da relação e acabamos abandonando a camisinha de vez. Assim, por ser mais acessível, a pílula acabou sendo o nosso principal método contraceptivo. Ela nunca falhou. Mas também não tenho muitas lembrança das mudanças que ela causou no meu corpo. Lembro de menstruar por, em média, 10 dias e após a pílula os dias reduzirem para 5. Mesmo não sentindo muitos efeitos colaterais, nunca me senti totalmente confortável ingerindo esse medicamento que passou a controlar totalmente meu ciclo menstrual, e com o passar dos anos cada vez mais as dúvidas vinham a minha cabeça, e me perguntava “até quando vou continuar dependendo disso?”, considerando que eu ainda teria mais uns 20 anos de ciclos menstruais pela frente.

A mulher em segundo plano

Bom, sabemos que o direito e acesso aos métodos contraceptivos, e frequentemente à pílula, são há muito tempo reivindicações de grupos feministas, fazendo também parte das políticas de esquerda que defendem a liberdade sexual da mulher. O fato é que eu também defendo essa liberdade, mas então por que estou tentando descartar um direito que me foi conquistado?

Segundo Diniz, no Brasil da década de 80 a discussão sobre contracepção se dividia entre os natalistas e os antinatalistas. Os primeiros eram contrários à toda oferta de contraceptivos por não corresponder aos interesses nacionais e à fé cristã. Os últimos, preocupados com os efeitos do crescimento populacional no desenvolvimento econômico, defendiam a regulação da fecundidade e acabavam depositando na mulher essa responsabilidade, sem considerar os riscos para a sua saúde e seu bem-estar.

Como abordado pela mesma autora, a falta de reflexão sobre a prática médica convencional nos leva a ignorar o papel dos serviços de saúde na subordinação das mulheres. A ideia de planejamento familiar nos faz crer que a função da sexualidade da mulher é constituir família, não reconhecendo o sentido amplo da busca por contracepção, como cuidar da sexualidade tendo em vista o prazer. Como consequência, temos serviços de saúde que não oferecem auxílio adequado às mulheres que não possuem um parceiro fixo, falhando na oferta de métodos e aconselhamentos sobre prevenção de DSTs, por exemplo. Aliás, foi apenas em 1997 que o Brasil começou a comercializar preservativos femininos, e ainda assim, com preços bem elevados. Mais de uma década depois, ainda vemos uma grande dificuldade de acesso a esses preservativos, mesmo sabendo que ele é muito mais eficaz que o preservativo masculino.

Há algo em comum entre as situações discutidas acima. A mulher pouco aparece como agente capaz de decidir sobre os cuidados e as funções do seu próprio corpo. O tabu do corpo da mulher persiste e a afasta de sua autonomia. Por vezes a igreja, por outras o estado. E nossas famílias e os próprios médicos acabam sendo cúmplices do controle sobre nossos corpos. É impossível não pensar no grande papel de manipulação da industria, do capitalismo. O direito a contracepção foi sim uma grande conquista feminista, mas parece que parou aí. Aonde ficou nossa saúde nessa história? Acabamos nos deixando levar pela sociedade de consumo. A mulher independente se tornou aquela que tem poder de aquisição. E a liberdade se tornou a praticidade de não precisar menstruar, de não exalar cheiros naturais, não precisar ter contato com o próprio sangue, de esquecer que temos um ciclo menstrual, e depois poder reativá-lo quando desejarmos.

“if you think you are emancipated, you might consider the idea of tasting your own menstrual blood – if it makes you sick, you’ve a long way to go, baby” Germaine Greer

 

À procura do método

Bom, essas foram algumas das razões pelas quais decidi parar e repensar sobre o que tenho feito com meu corpo. Razões essas que ainda me fazem questionar se me conheço o suficiente, se estou cuidando de mim, se existem outras soluções para mim e para as outras mulheres. Quando pensamos em métodos de contracepção sem uso de medicamentos, geralmente somos instruídos às seguintes opções, começando pelas que oferecem menos riscos de gravidez: 

  • preservativo feminino ou masculino (sendo o único método confiável contra DSTs)
  • o diafragma (um dos que mais oferece autonomia à mulher, podendo ainda proteger contra algumas DSTs)
  • as práticas sexuais não penetrativas 
  • o coito interrompido 
o primeiro teste

Pensando sobre qual método eu iria optar, decidi testar alguns. Eles deveriam estar ao meu alcance e era importante para mim ter opções mais naturais. Foi nessa que o primeiro escolhido foi o tal do “coito interrompido”, ou ejaculação fora da vagina. A eficácia desse método pode depender de alguns atributos, como o controle do parceiro sobre a própria ejaculação. 

Mas em primeiro lugar vou comentar sobre como minha vida mudou desde que parei com a pílula. Os efeitos podem parecer negativos para a maioria das mulheres. Mas na realidade eram os efeitos que eu esperava. São as respostas naturais de um corpo se libertando.

Em relação ao meu corpo, houve um grande aumento de espinhas, principalmente nas costas e peito. Foi mais intenso nos primeiros meses e depois foi reduzindo. Meus seios perderam um pouco de volume. Em alguns meses tive uma sensação de que o corpo inteiro estaria menos inchado. Voltei também a sentir cólicas nos dias de menstruação. Além disso, no início meu ciclo desregulou totalmente e cheguei a achar que estava grávida por ficar uns dois meses sem menstruar. Porém, depois de alguns meses meu ciclo foi se regulando e descobri que meu ciclo tem em média 45 dias, e não 28 dias como a pílula me forçava a ter. Além do mais, a menstruação era sempre interrompida para recomeçar um novo ciclo.

Em relação a rotina e preocupações, é prático não precisar pensar em comprar ou conseguir as pílulas anticoncepcionais, nem lembrar de toma-las todos os dias. Na realidade o método atual transfere a responsabilidade ao parceiro homem, pois é ele quem tem que ser capaz de controlar a ejaculação e saber a hora certa de retirar. Além disso, após a primeira ejaculação, o ideal é não penetrar sem preservativo novamente no mesmo dia, para eficácia do método.

Bom, tem um ano desde começamos a aplicar o método que até o momento tem funcionado bem. Ele tem fama de não ser confiável, e mesmo eu querendo, não posso recomendá-lo, pois a minha experiência não é o bastante. Porém, mesmo estando contente em ter parado com as pílulas e de confirmar que esse método é possível com a gente, não pretendo continuar (apenas) com ele. Posso levantar como pontos negativos o fato de padronizar o fim da transa, e ainda de não permitir um conhecimento maior da mulher sobre seu corpo, o que faz com que permaneça um sentimento de insegurança sobre possíveis gravidez.

Mas não vou parar por aí, o próximo passo é testar um outro método, ainda diferente dos que citei acima. Ainda não posso expor o que será, então vai ficar para um próximo post. E pra quem tiver lido o texto até aqui, gostaria de saber a sua opinião sobre o tema. Quem tiver outras experiências, fiquem livres pra comentar.

Referências

DINIZ, Simone G. – Cuidando do prazer: do planejamento familiar à contracepção, e da autonomia das mulheres à responsabilidade compartilhada. 

El dedo en la llaga – El estigma histórico de la menstruación

 

De Rennes à Bécherel à vélo

     Depois de um domingo chuvoso, acordamos na segunda de páscoa com vontade de aproveitar o último dia do feriadão. Já era nosso plano dar um rolê de bici em uma outra cidade. Se tivesse feito bom tempo no domingo teríamos tentado ir pra Dinan, contornando o rio Vilaine. Porém num bate e volta a gente não poderia ir muito longe. Foi então que pesquisando um pouco na internet, enquanto tomávamos café, encontrei nosso destino: Bécherel! Mal conhecia a cidade, só havia visto divulgação aqui em Rennes de uma tal “festa do livro” que estava rolando lá neste final de semana. Bom, 32km de trajeto de bicicleta no googlemaps. Nada mal para conhecer um pouquinho melhor nosso departamento (Ille-et-Vilaine). Não conhecíamos as estradas, nem as cidades que iríamos passar. Pegamos só o GPS do celular e fomos ver no que ia dar.

Rota traçada:
Saindo de Rennes pela Bd de la Robiquette > Montgermont > (Route du Meuble) Chapelle-des-Fougeretz > Montgerval > Gévezé > Langouet > Miniac-sous-Bécherel > Bécherel

      O caminho até Chapelle-des-Fougeretz foi bem tranquilo, todo com ciclofaixa. Esta primeira cidade foi uma surpresa agradável. Super pequena, mas muito simpática.

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Dando uma volta por dentro da cidade, encontramos ainda um jardim marroquino.

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      Depois pegamos o caminho para Gévezé passando por Montgerval. Nada de muito interessante nessas duas cidades. Porém, é bom avisar que esse caminho até Langouet não foi muito agradável. Falta via segura para ciclistas, sendo que em uma grande parte não tem nem acostamento na estrada.
Pelo menos, depois de Langouet veio a melhor parte do trajeto. O caminho atravessa toda a área rural, passando por alguns pequenos vilarejos e fazendas. É uma estradinha asfaltada que só dá passagem pra um veículo. Foi a parte mais segura de toda a viagem, pois o volume do tráfego é muito baixo.

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       Miniac-sous-Bécherel foi a última cidade antes de chegar ao destino final. Também é híper pequena, mas bem bonitinha.

manoir-verger

Manoir du Verger, século XVII. Casa de um senhor feudal aí.

      Um pouquinho mais adiante e já podíamos avistar Bécherel. A gente nem sabia que a cidade ficava em cima de uma colina. Foi uma outra surpresa ver essa paisagem.

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Enfim, chegamos, pelos fundos da cidade. Pausa pro lanche e descanso antes de subir a colina.

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      Então chegamos na cidade dos livros. A cidade com pouco mais de 700 habitantes concentra dezenas de livrarias, artistas e artesãos do livro. Durante a “fête du livre” as ruas ficam cheias de bancas e atividades culturais. E conferências são realizadas na “Cité du Livre”, primeiro estabelecimento público dedicado ao livro na França.

fete-du-livre

      Porém, essa tendência literária é bem recente. A cidade é um antigo forte que durante a idade média foi ocupada pelos ingleses por sua localização estratégica. Entre o século XVI e XVIII, principalmente após a Revolução Francesa, a cidade se tornou uma grande produtora de linho e cânhamo. Mas com a chegada do algodão na França, a produção de tecido em Bécherel enfraqueceu. Bom, depois veio as usinas de couro, sapato e máquinas agrícolas e mais tarde a produção leiteira. Mas foi só com a chegada do caminho de ferro ligando a cidade à Rennes que a região se desenvolveu. E foi com o reconhecimento em 1978 de “pequena cidade caractere” da França que incentivou diversas livrarias e artesãos a se instalar na cidade.

cite-du livre

Para finalizar, mais alguns detalhes sobre a viagem.
A ida durou quase 5 horas. Vale lembrar que é uma região mais alta e que fomos parando em todas as cidades que passamos.
A volta durou 1h50. Sabendo já o caminho, sem parar nas cidades e descendo bastante até Rennes.

vagina pulsante

movimenta. pulsa. transforma.
Nossas vaginas estão cheias de vida.

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Vagina em feltro costurada a mão (jan/2014)
[o sangue]

buceta-sangre

[o gozo]

gif-gozo

viva a vagina pulsante


Penso que o feltro é um material frequentemente utilizado no artesanato pra produzir coisas fofas. Já a vagina, de forma geral, é vista como algo sujo (tanto no sentido menstrual, como sexual). Desta forma, produzir uma vagina em feltro é colocar dois elementos com sentidos distantes, e mesmo contrários, num mesmo objeto. A intenção não é de inverter os conceitos, mas observar-los em uma outra perspectiva. A aplicação em gifs também faz a combinação do artesanal com o digital.

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Esse pequeno projeto foi pensado para tod@s, mulheres e homens, adolescentes e adultos. Feito para repensarmos a relação com os nossos corpos e para não esquecermos de nos observar, nos cuidar, e nos desfrutar. Bom, nada de novo. Porém ainda é necessário continuar voltando às mesmas discussões.

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No mais,  o que me motivou foram vários momentos deste último ano. O contato com vários ambientes e pessoas novas, e particularmente com uma querida amiga que compartilho diversas afinidades que foram aparecendo com o tempo, especialmente sobre os temas menstruação, corpo, sexualidade, feminismo, tricot/artesanato, também me inspirou nesse projetinho. A Lis, que é estudante aqui em Rennes em artes plásticas também trabalha sobre o tema menstruação e nosso encontro foi uma dessas boas coincidências que rolam quando se mora em outro país. 

rolê em paris e semana zapatista

Esta última semana estivemos em Paris por conta do doutorado do Oriel. Por coincidência, a mesma semana que aconteceriam diversas atividades em comemoração aos 20 anos do levante zapatista.
Motivados pelo aniversário da revolta, mas também com a intenção de quebrar com o silêncio da mídia, os Comitês de solidariedade com os povos de Chiapas em luta (CSPCL), com os indígenas das Américas (CSIA-Nitassinan), e outros grupos de Paris organizaram este evento para informar e divulgar essa experiência de resistência ao capitalismo que continua firme até hoje. E ao mesmo tempo fazer inspirar, pois em todos os cantos a lógica dominante ainda é de exploração e repressão.

Entre projeções de filmes, documentários, debates, exposição, música e manifestação festiva, conseguimos participar de algumas coisas.
Na terça estivemos numa exposição de fotografias e relatos sobre as escolas autônomas e a “Escuelita”, organogramas sobre o a estrutura das comunidades, direitos básicos e “leis”. Acabei não tirando foto, mas tem uma abaixo do Ori no bar onde rolou a exposição hehe.
Na sexta conseguimos ir na festa da CNT, que começou com a instalação de uma placa comemorativa na entrada do prédio. O local desenvolve solidariedade com a luta das comunidades zapatistas desde 1995 e a placa é em memória à “Aguascalientes” (territoire zapatiste), como o local foi declarado em 1996.
Ainda nesta noite houve projeção do documentário “La Tierra es de Quien la Trabaja”, sobre o Movimiento Unificado Campesino del Agúan que narra a violência e resistência frente aos processos de despejos dessas comunidades. Em seguida rolou um debate sobre gentrificação e a luta para manter os espaços, pois a CNT em Paris também está na batalha para continuar no “33”, local que ocupam desde os anos 70 e que tem uma importância histórica para o movimento operário.
Por fim a noite terminou dançante com o grupo “Cumbia Bamba”, animando geral com um cover de “nunca, pero nunca me abandones cariñito” :P

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e pra finalizar mesmo a semana, o contrôleur apareceu…

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A parte não tão legal do rolê é que fomos pegos sem bilhete no metro, especificamente em um dos túneis da estação de trêm Montparnasse. Bom, depois de um ano e meio “pulando catraca” na França, uma hora tinha que bobear :(

identificação de cogus em Rennes

Estamos no meio do outono, um dos melhores momentos para ir atrás de cogumelos na floresta. No último sábado (02/10), aproveitamos uma carona para ir até a floresta mais próxima daqui, a Forêt Domaniale de Rennes, na cidade de Liffré.

Geralmente os melhores dias para fazer isso é no primeiro dia de sol após uns dias de chuvas. A umidade e o calorzinho do sol faz com que os cogumelos brotem. Tem o fator da lua também, mas sobre isso ainda não li o bastante. Porém, esse último sábado não estava dos melhores. Havia chovido durante a semana, mas o sol não saiu direito e logo no começo da tarde a chuva voltou. Chegamos na floresta já sem sol e bem molhada. Como havia bastante folhas no solo não tivemos problemas com lama.

Então fomos atrás dos Bolets, um tipo de cogumelo que já haviam nos informado que era o mais fácil de encontrar nesta floresta e que era seguramente comestível. Não tirei fotos lá e na mesma noite já devoramos tudo num jantar entre amigos. Por isso vou usar um link da internet pra mostrar qualé desse cogumelo. Essa cor esverdeada é meio estranha, mas é assim mesmo. Depois que cozinha fica só marrom. Bom, como não era um dia ideal, conseguimos alguns poucos e a maioria já estava detonada, mas usamos mesmo assim.

Dos outros cogumelos que encontramos por lá, a maioria ninguém sabia dizer qual era comestível ou não. Resolvemos pegar tudo pra fazer uma pesquisa em casa. Assim da próxima vez que formos na floresta já vamos saber quais pegar. Depois de um bom tempo jogando as características no google, conseguimos identificar alguns tipos, que se encontram na imagem a baixo.

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Como levamos dois dias para encerrar a pesquisa, quando tirei essa foto a maioria já tinha perdido a aparência fresca, alguns desbotaram, outros escureceram…
Por isso peguei a foto que tirei no mesmo dia da coleta com todos os cogumelos juntos e destaquei os que conseguimos identificar.

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Destes descobrimos que alguns podem cair mal no estômago, como o “Russula emetica” (o vermelhinho), e outros que supostamente podem até matar, como o “Cortinarius orellanus” (o laranja de baixo).

Como comestível dá para destacar o “Laccaria amethystina” (roxinhos a esquerda) e o “Chalciporus piperatus” (o terceiro da linha superior) que tem como característica um sabor apimentado.

Outro importante é o “Piptoporus betulinus” (canto superior direito), que apesar de não ser recomendado para a alimentação, têm propriedades farmacêuticas, servindo como antibacteriano, anti-diarreico, anti-inflamatório.

Bom, como a maioria acabou envelhecendo não pudemos aproveitar suas utilidades. Ao menos agora já estamos um pouco mais preparados para a próxima coleta de cogumelos :)

L.A.P. Lycée autogéré de Paris (Escola Autogerida de Paris)

* Divulgando descobertas pela internet *
L.A.P. é uma escola secundária pública autogerida que existe há mais de 30 anos em Paris.  250 estudantes e 25 professores decidem juntos todos os aspectos do estabelecimento. Repartidos em 8 grupos de base, toda semana cada grupo discute e vota questões de orçamento e práticas. Assembléias gerais são frequentes. Os grupos também são responsáveis pela manutenção e limpeza de alguma parte da escola. Todos põem a mão na massa. A escola tem o princípio de livre frequentação, em que a presença do estudante nas aulas não é obrigatória, e faltas não são penalizadas. Para os professores, assalariados pela educação nacional, é indispensável o comprometimento com as diversas tarefas. Já os estudantes, são encorajados a participar. Além disso, não existe o sistema de notas. Os estudantes fazem a sua própria avaliação a partir de uma cartilha de educação feita pelos professores, sendo uma forma de se concentrar mais no conhecimento do que nas notas. No lugar da autoridade, neste escola os estudantes encontram a responsabilidade. Quando criada, em 1982, a escola foi considerada pelo Ministério como um observatório do sistema educativo francês, e poderia contribuir para uma compreensão da educação nacional.  Porém, atualmente no país, a cada ano cerca de 140.000 estudantes abandonam as escolas, o que demonstra uma falha no sistema educativo tradicional. A L.A.P. acaba sendo uma alternativa para alguns destes estudantes. Direcionada à adolescentes e jovens de 15 à 21 anos, alguns destes vêem a escola como uma segunda chance, porém outros a entendem como uma alternativa a um sistema excludente e que não compreende as necessidades de cada indivíduo. mais info: http://www.l-a-p.org/ http://www.tourdefrancedesalternatives.fr/alternatives/ecole-de-la-democratie/ http://fr.wikipedia.org/wiki/Lyc%C3%A9e_autog%C3%A9r%C3%A9_de_Paris http://editionsrepas.free.fr/editions-repas-livre-une-fabrique-de-libertes-le-lycee-autogere-de-paris.html#page

o jardim de Veijo Rönkkönen

Em uma cidadezinha finlandesa na borda com a Russia, no meio de uma estrada deserta, se encontra um curioso jardim cheio de estátuas de figuras humanas em diversas representações. Desde doces crianças dançando em um desfile até personagens macabros com dentes humanos.

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Veijo Rönkkönen (1944-2010) trabalhava na produção de celulose da cidade (Parikkala), mas por cerca de 50 anos se dedicou as suas esculturas no jardim de sua casa. Seu trabalho é considerado o mais importante da arte folclórica finlandesa. Diversos interessados apareceram para comprar suas estátuas e outros surgiram com a intenção de tornar o seu jardim um parque turístico. Mas ele nunca quis vendê-las e não aceitava que cobrassem pela entrada em seu jardim. A única coisa que ele fazia questão é que quem passasse por lá assinasse seu livro de visitas.

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Já faz um mês que visitei o parque de esculturas de Parikkala. Posso dizer que foi um dos lugares mais impressionantes que visitei na Finlândia. O cenário de inverno é bem interessante pela interação que rola entre as esculturas e o meio, no caso a neve cobrindo partes das estátuas e deixando o clima mais misterioso. O único problema mesmo é aquentar o frio. No inverno não tem nada aberto por perto, então sem lugar pra se aquecer a visita foi mais rápida do que eu gostaria. Vai ser difícil voltar algum dia lá, mas acredito que o verão é uma das melhores épocas pra visitar o parque, com a vegetação crescida e a temperatura amena. Também porque costuma rolar saraus e eventos festivos, o que deve dar um outro clima.

Um outro problema é o acesso ao parque. Ele fica bem afastado do centro da cidade e não tem nenhuma linha de ônibus que passa por lá, apenas alguns ônibus de viagem. Acabamos pegando um taxi no centro, que pela distância acabou saindo caro pra nós (€40 ida e volta). Por isso talvez seja melhor ir em grupo pra dividir essas despesas.

mais fotos aqui.

Parikkalan patsaspuisto, Finland.