rolê em paris e semana zapatista

Esta última semana estivemos em Paris por conta do doutorado do Oriel. Por coincidência, a mesma semana que aconteceriam diversas atividades em comemoração aos 20 anos do levante zapatista.
Motivados pelo aniversário da revolta, mas também com a intenção de quebrar com o silêncio da mídia, os Comitês de solidariedade com os povos de Chiapas em luta (CSPCL), com os indígenas das Américas (CSIA-Nitassinan), e outros grupos de Paris organizaram este evento para informar e divulgar essa experiência de resistência ao capitalismo que continua firme até hoje. E ao mesmo tempo fazer inspirar, pois em todos os cantos a lógica dominante ainda é de exploração e repressão.

Entre projeções de filmes, documentários, debates, exposição, música e manifestação festiva, conseguimos participar de algumas coisas.
Na terça estivemos numa exposição de fotografias e relatos sobre as escolas autônomas e a “Escuelita”, organogramas sobre o a estrutura das comunidades, direitos básicos e “leis”. Acabei não tirando foto, mas tem uma abaixo do Ori no bar onde rolou a exposição hehe.
Na sexta conseguimos ir na festa da CNT, que começou com a instalação de uma placa comemorativa na entrada do prédio. O local desenvolve solidariedade com a luta das comunidades zapatistas desde 1995 e a placa é em memória à “Aguascalientes” (territoire zapatiste), como o local foi declarado em 1996.
Ainda nesta noite houve projeção do documentário “La Tierra es de Quien la Trabaja”, sobre o Movimiento Unificado Campesino del Agúan que narra a violência e resistência frente aos processos de despejos dessas comunidades. Em seguida rolou um debate sobre gentrificação e a luta para manter os espaços, pois a CNT em Paris também está na batalha para continuar no “33”, local que ocupam desde os anos 70 e que tem uma importância histórica para o movimento operário.
Por fim a noite terminou dançante com o grupo “Cumbia Bamba”, animando geral com um cover de “nunca, pero nunca me abandones cariñito” :P

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e pra finalizar mesmo a semana, o contrôleur apareceu…

IMG_2019 cópia

A parte não tão legal do rolê é que fomos pegos sem bilhete no metro, especificamente em um dos túneis da estação de trêm Montparnasse. Bom, depois de um ano e meio “pulando catraca” na França, uma hora tinha que bobear :(

identificação de cogus em Rennes

Estamos no meio do outono, um dos melhores momentos para ir atrás de cogumelos na floresta. No último sábado (02/10), aproveitamos uma carona para ir até a floresta mais próxima daqui, a Forêt Domaniale de Rennes, na cidade de Liffré.

Geralmente os melhores dias para fazer isso é no primeiro dia de sol após uns dias de chuvas. A umidade e o calorzinho do sol faz com que os cogumelos brotem. Tem o fator da lua também, mas sobre isso ainda não li o bastante. Porém, esse último sábado não estava dos melhores. Havia chovido durante a semana, mas o sol não saiu direito e logo no começo da tarde a chuva voltou. Chegamos na floresta já sem sol e bem molhada. Como havia bastante folhas no solo não tivemos problemas com lama.

Então fomos atrás dos Bolets, um tipo de cogumelo que já haviam nos informado que era o mais fácil de encontrar nesta floresta e que era seguramente comestível. Não tirei fotos lá e na mesma noite já devoramos tudo num jantar entre amigos. Por isso vou usar um link da internet pra mostrar qualé desse cogumelo. Essa cor esverdeada é meio estranha, mas é assim mesmo. Depois que cozinha fica só marrom. Bom, como não era um dia ideal, conseguimos alguns poucos e a maioria já estava detonada, mas usamos mesmo assim.

Dos outros cogumelos que encontramos por lá, a maioria ninguém sabia dizer qual era comestível ou não. Resolvemos pegar tudo pra fazer uma pesquisa em casa. Assim da próxima vez que formos na floresta já vamos saber quais pegar. Depois de um bom tempo jogando as características no google, conseguimos identificar alguns tipos, que se encontram na imagem a baixo.

congus-rennes

Como levamos dois dias para encerrar a pesquisa, quando tirei essa foto a maioria já tinha perdido a aparência fresca, alguns desbotaram, outros escureceram…
Por isso peguei a foto que tirei no mesmo dia da coleta com todos os cogumelos juntos e destaquei os que conseguimos identificar.

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Destes descobrimos que alguns podem cair mal no estômago, como o “Russula emetica” (o vermelhinho), e outros que supostamente podem até matar, como o “Cortinarius orellanus” (o laranja de baixo).

Como comestível dá para destacar o “Laccaria amethystina” (roxinhos a esquerda) e o “Chalciporus piperatus” (o terceiro da linha superior) que tem como característica um sabor apimentado.

Outro importante é o “Piptoporus betulinus” (canto superior direito), que apesar de não ser recomendado para a alimentação, têm propriedades farmacêuticas, servindo como antibacteriano, anti-diarreico, anti-inflamatório.

Bom, como a maioria acabou envelhecendo não pudemos aproveitar suas utilidades. Ao menos agora já estamos um pouco mais preparados para a próxima coleta de cogumelos :)

pimentão recheado com champignon

Mais um prato com champignon, porque eu adoro!! No Brasil é caro :/
Então agora de volta a França, estou aproveitando (:

Rango bem fácil esse.

1 pimentão verde grandinho, uns 10 champignons frescos médios, 1 dente alho grande e sal.

champignon-pimentao

O champignon:

Lavei, tirei a pontinha do estipe (caule) e cortei em fatias grossas. Refoguei o alho no azeite e juntei os champignons. Coloquei um pouco de sal, pimenta e um pouco mais de azeite e deixei amolecer até criar um caldo escuro do próprio champignon.

O pimentão:

Depois de cortar a ponta do pimentão e tirar as sementes, dei uma esquentada na panela pra dar uma tostada por fora e não amolecer tanto (rola deixar mais molinho, refogado e tal. Mas eu preferi deixar mais fresco pra não perder a textura croc do pimentão.

A ordem não tem muita importância. No fim recheie o pimentão e deixe mais um pouquinho na panela pra servir quentinho.

pimentao-recheado

Servi então com umas rodelas de rabanete e fiz um couscous com ervas pra acompanhar.

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Ainda usei o pimentão e rabanete que peguei na récup da última feira!

L.A.P. Lycée autogéré de Paris (Escola Autogerida de Paris)

* Divulgando descobertas pela internet *
L.A.P. é uma escola secundária pública autogerida que existe há mais de 30 anos em Paris.  250 estudantes e 25 professores decidem juntos todos os aspectos do estabelecimento. Repartidos em 8 grupos de base, toda semana cada grupo discute e vota questões de orçamento e práticas. Assembléias gerais são frequentes. Os grupos também são responsáveis pela manutenção e limpeza de alguma parte da escola. Todos põem a mão na massa. A escola tem o princípio de livre frequentação, em que a presença do estudante nas aulas não é obrigatória, e faltas não são penalizadas. Para os professores, assalariados pela educação nacional, é indispensável o comprometimento com as diversas tarefas. Já os estudantes, são encorajados a participar. Além disso, não existe o sistema de notas. Os estudantes fazem a sua própria avaliação a partir de uma cartilha de educação feita pelos professores, sendo uma forma de se concentrar mais no conhecimento do que nas notas. No lugar da autoridade, neste escola os estudantes encontram a responsabilidade. Quando criada, em 1982, a escola foi considerada pelo Ministério como um observatório do sistema educativo francês, e poderia contribuir para uma compreensão da educação nacional.  Porém, atualmente no país, a cada ano cerca de 140.000 estudantes abandonam as escolas, o que demonstra uma falha no sistema educativo tradicional. A L.A.P. acaba sendo uma alternativa para alguns destes estudantes. Direcionada à adolescentes e jovens de 15 à 21 anos, alguns destes vêem a escola como uma segunda chance, porém outros a entendem como uma alternativa a um sistema excludente e que não compreende as necessidades de cada indivíduo. mais info: http://www.l-a-p.org/ http://www.tourdefrancedesalternatives.fr/alternatives/ecole-de-la-democratie/ http://fr.wikipedia.org/wiki/Lyc%C3%A9e_autog%C3%A9r%C3%A9_de_Paris http://editionsrepas.free.fr/editions-repas-livre-une-fabrique-de-libertes-le-lycee-autogere-de-paris.html#page

lugar nenhum | eterno retorno

Depois de mais ou menos 2 anos sem tocar, o Lugar Nenhum volta a se reunir para mais uma apresentação. O repertório é o mesmo, e as músicas continuam disponíveis no site lugarnenhum.net, incluindo encarte/cartaz com textos e as letras das músicas.  Desta vez, quem compartilha esse momento com a banda são as meninas do Mad Dorothys. Abaixo, vai a minha colaboração com um cartaz handmade+digital.

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bicicletada na cidade da chuv… bicicleta!

Joinville possui vários títulos que a definem, um deles é “cidade das bicicletas”. Porém seus representantes não se esforçam o suficiente para manter este título.Oficialmente a chuva não é considerada entre os títulos, mas quem vive lá sabe bem que a natureza faz seu trabalho mais do que o suficiente para receber esse título.

Pra cidade que é mais da chuva do que da bicicleta, aí está mais um cartaz para a bicicletada de Joinville.

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o jardim de Veijo Rönkkönen

Em uma cidadezinha finlandesa na borda com a Russia, no meio de uma estrada deserta, se encontra um curioso jardim cheio de estátuas de figuras humanas em diversas representações. Desde doces crianças dançando em um desfile até personagens macabros com dentes humanos.

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Veijo Rönkkönen (1944-2010) trabalhava na produção de celulose da cidade (Parikkala), mas por cerca de 50 anos se dedicou as suas esculturas no jardim de sua casa. Seu trabalho é considerado o mais importante da arte folclórica finlandesa. Diversos interessados apareceram para comprar suas estátuas e outros surgiram com a intenção de tornar o seu jardim um parque turístico. Mas ele nunca quis vendê-las e não aceitava que cobrassem pela entrada em seu jardim. A única coisa que ele fazia questão é que quem passasse por lá assinasse seu livro de visitas.

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Já faz um mês que visitei o parque de esculturas de Parikkala. Posso dizer que foi um dos lugares mais impressionantes que visitei na Finlândia. O cenário de inverno é bem interessante pela interação que rola entre as esculturas e o meio, no caso a neve cobrindo partes das estátuas e deixando o clima mais misterioso. O único problema mesmo é aquentar o frio. No inverno não tem nada aberto por perto, então sem lugar pra se aquecer a visita foi mais rápida do que eu gostaria. Vai ser difícil voltar algum dia lá, mas acredito que o verão é uma das melhores épocas pra visitar o parque, com a vegetação crescida e a temperatura amena. Também porque costuma rolar saraus e eventos festivos, o que deve dar um outro clima.

Um outro problema é o acesso ao parque. Ele fica bem afastado do centro da cidade e não tem nenhuma linha de ônibus que passa por lá, apenas alguns ônibus de viagem. Acabamos pegando um taxi no centro, que pela distância acabou saindo caro pra nós (€40 ida e volta). Por isso talvez seja melhor ir em grupo pra dividir essas despesas.

mais fotos aqui.

Parikkalan patsaspuisto, Finland.

noite vegetariana | kasvisruokailta

Na última semana, passando por um dos murais da universidade, me deparei com um cartaz que me chamou atenção por ser diferente dos outros. Desenhado e pintado à lápis e com colagem de letras de revista – fazia tempo que não via um desses. Se fosse depender dos textos ia me passar despercebido já que sei quase nada de finlandês. No entanto vendo as figuras, de primeira achei que era algo relacionado a comida e pelos alimentos usados tinha chance de ser vegetariano. Quando vi “2 euros”, fui logo tirando uma foto pra traduzir quando chegasse em casa.

E valeu a pena mesmo. Era uma noite vegetariana organizada por um grupo ambientalista de estudantes da universidade. Chegamos lá (eu e o Oriel) e entramos pelos fundos de um prédio comercial no centro da cidade. Fomos recepcionados por uma das meninas que recolheu nossa contribuição. O lugar era tipo um salão de festa de condomínio, e quando entramos o pessoal já estava arregaçando as mangas e pegando os alimentos para cortar.

Eramos os únicos estrangeiros e parecia que todos ali eram conhecidos ou faziam parte do mesmo círculo de amigos, o que nos deixou meio tímidos. Mas logo começaram a falar com a gente em finlandês e ao perceberem que não entendiamos se puseram a falar em inglês e mostraram no que a gente podia ajudar pro preparo do rango.

Esta é uma das coisas legais da Finlândia, todo mundo sabe entre 2 à 4 idiomas, entre eles finlandês, suéco, inglês e russo. Entre os jovens estudantes praticamente todos se comunicam bem em inglês, e apesar de ser um povo tímido (reservado com quem não conhece bem) estão sempre dispostos a ajudar e a conversar quando percebem que o outro está perdido.

Enquanto alguns preparavam os alimentos, outros conversavam no sofá e ainda tinha alguns que iam para a sauna. Sim, o vício dos finlandeses. Tem sauna por todo lugar e parece que toda hora é hora de sauna ;P
O interessante é que apesar do jantar ser vegetariano, percebemos que várias pessoas ali eram oníveras. Dá pra ver que eles acham importante, ainda mais por se tratar de um grupo ambientalista, porém não levam isso 100%. O último dado (2008) que encontrei sobre a população vegetariana na Finlândia era de 3 à 5%. No Brasil, a população vegetariana chega a 9% (2010). Então além da quantidade, a proporção de vegetarianos no Brasil é bem maior. O mais engraçado é que na Finlândia praticamente todos os restaurantes servem pelo menos 1 prato vegetariano (sem origem animal) e no mercado têm várias opções também. Além de não faltar opção, os finlandeses têm boas condições financeiras (a maior parte é como a classe-média alta do Brasil) e o nível de educação é bem alto. Não sei, mas achei curioso.

Mas… finalmente o rango ficou pronto, e o menu foi uma entrada de sopa com croutons, que na verdade eu ainda não tenho certeza do que era, pois não era um gosto familiar. Lembrava algumas dessas raízes que temos no Brasil e pelo o que eu pesquisei é chamado de tupinambo, em português. Eu curti :)

O segundo prato foi um refogado de batata, cenoura, beterraba e cebola, mais seitan frito e um molho delicioso de champignon.

E de sobremesa foi um caldo de frutas vermelhas com um pudim de leite de côco.

(As fotos não tão muito boas, pois são de celular)

Olha, repeti em todos os pratos e fiquei cheiassa. Tava bem bom, além de conhecer o pessoal e trocar umas ideias :)  E tudo por 2 euros (±5 reais), bem em conta considerando estar na Finlândia.

Além do mais, achei bem legal a ideia de organizar um jantar que a galera colabora junto. Acho que muitas vezes as pessoas desanimam de organizar esses jantares pois dá muito trabalho, mas com cada um fazendo um pouco fica bem mais prático, a galera interage mais e ainda aprende como preparar os rangos.

champignon + repolho

Aí vai uma sugestão, ou melhor, duas sugestões pra quem tiver repolho e champignons frescos em casa.

Rechear é a ideia principal. No primeiro caso usei champignos frescos, retirei os estipes (o “caule” do cogumelo) e botei pra assar com azeite+sal em forno médio por cerca de 20 minutos. Numa panela, refoguei o repolho com cebola e temperei com gengibre+sal+orégano. No fim recheei os cogus com o repolho.

No segundo caso, usei as sobras (estipes) dos champinons retiradas antes – Dá pra usar o champignon inteiro. A textura do chapéu é mais macia, enquanto o estipe é mais seco e firme. Deixei de molho no shoyo (bem pouco, só pra umedecer), refoguei a cebola, juntei as sobras do champignon e temperei com um pouco de pimenta. E pra terminar despejei o refogado em uma folha de repolho crua.

É isso, bem simples, leve e gostoso :)

E só pra terminar, experimentei pela primeira vez uma Ginger beer, uma bebida inglesa fermentada com gengibre. É bem suave e de baixo teor alcoólico, praticamente um refrigerante hehe Apesar disso achei bem gostoso.

amanita muscaria no jantar

Com a quantidade de amanita muscaria encontrada pelas ruas na Finlândia, não teria como não nos interessarmos por esse belo fungo de cor vibrante, tão presente na cultura do entretenimento infantil (desenhos animados, games, etc.). Então fomos, eu e Oriel, em busca da origem e formas de utilização desse cogumelo. Mais pra frente, o Oriel vai falar no seu blog sobre os mitos, efeitos psicoativos e a presença simbólica desse cogumelo na religião e cultura popular. E no caso eu, vou falar aqui sobre nossa experiência culinária :)

Nos últimos anos, posso dizer que cogumelos foi uma das minhas melhores descobertas na cozinha. Suas texturas e gostos me agradam demais. Então, quando me vi aqui rodeada por estes (de graça, esperando para serem colhidos) não hesitei em experimentar.

A ideia de postar sobre esse cogumelo é mais para desmistificar a crença de que esse tipo de cogumelo não é comestível de jeito nenhum, que você vai parar no hospital e etc., argumentos muitas vezes utilizado até pelos finlandeses, que convivem com eles dia-a-dia nos bosques e ruas da cidade.

Antes de mais nada, amanita muscaria é sim tóxica, porém não o bastante para te matar. É possível ter efeitos como náuseas, vômitos e até alucinações. Porém, se não é isso o que você procura, a única coisa que é preciso fazer é desintoxicar :)

O processo é bem simples. Lavar e retirar os pontinhos brancos, ferver com uma boa quantidade de água e sal por cerca de 15 minutos, trocar a água e cozinhar por mais uns 3 ou 5 minutos. O que vai acontecer é que as substâncias vão sair na água, descolorindo o cogumelo e deixando a água amarelada. Pois é, seria bem mais interessante se ele continuasse com o aspecto inicial, mas é a consequêcia do processo. No fim do post vou deixar alguns links com mais explicações e um vídeo.

Então, depois da desintoxicação, nós assamos os cogus com azeite de oliva, orégano e pitadas de sal. E pronto, douradinhos e deliciosos… e sem nenhum efeito colateral :)

links:

vídeo com exemplo de desintoxicação: http://www.youtube.com/watch?v=T1MZSRnMmxA

relato sobre o encontro com o cara que escreveu um artigo desmistificando o cogunelo: http://fat-of-the-land.blogspot.fi/2010/12/down-rabbit-hole-with-david-arora-part.html

mais um relato: http://honest-food.net/2011/12/24/eating-santas-shroom/

Todos os links são em inglês, pois não encontrei outros interessantes em português :(