Craft: Uma nova rede de artífices

Vou tentar fazer um resumo do meu trabalho de conclusão na graduação de design apresentado na última semana, que se chama: Projeto gráfico-editorial sobre Craft com aplicações de técnicas artesanais, que se trata do projeto e produção do livro Craft: Uma nova rede de artífices.

Contexto

O avanço das redes de computadores tem sido um grande agente estimulador de mudanças de comportamento, principalmente no que se refere às atitudes de colaboração, compartilhamento, pró-atividade e auto-exposição. Esta situação provavelmente se associa a um comportamento notável em que Lupton (2006) examina que em todos os lugares pessoas têm produzido suas próprias coisas com diferentes fins, seja por economia, satisfação estética ou pela independência das grandes corporações. A autora destaca que o princípio destas motivações de práticas e políticas se concentra no prazer em desenvolver uma ideia, concretizá-la e compartilhar essas experiências.  A associação que se faz com a internet ocorre por esta motivar a liberdade e a autonomia, o que estimula a repetição destas posturas em outras atividades em que a produção é acessível. Esta iniciativa por um consumo alternativo em que a pessoa participa da produção de sua própria mercadoria tem origem no “faça você mesmo”, filosofia que se baseia no sentido não denotativo de “produzir com as próprias mãos”, em que não há a necessidade de ser especialista no assunto, mas ter o simples objetivo de aprender e fazer acontecer.  Entende-se que este comportamento sai do âmbito da internet e se transpõe para a vida real por meio da valorização de uma vida mais simples em contraste com as novas tecnologias, no qual o “faça você mesmo” e a prática artesanal aparecem como pontos relevantes dessas mudanças. É a partir disto que o trabalho esteve embasado, no qual o Craft, ao exaltar a importância do artesanato criativo, conseguiu força através de um instrumento de tecnologia, a internet.

Conceito

O trabalho tem como objetivo desenvolver o projeto gráfico-editorial para o livro Craft: uma nova rede de artífices, em que é abordada a comunidade Craft – prática que valoriza o artifício da produção criativa e a filosofia do “faça você mesmo” ao propor um renascimento do artesanato tradicional.

Como princípio tem-se a valorização da prática em projetos de design a fim de promover a aprendizagem por meio de técnicas manuais e artesanais.

Além de conceitos relacionados ao Craft, há também o conceito de experimentação no design que é explorado a partir de técnicas artesanais e materiais não habituais no design gráfico, e assim busca-se evidenciar a importância do processo no desenvolvimento de projetos.

Projeto

No que se refere ao conteúdo visual do livro, o conceito se torna visíveis por meio dos elementos editoriais como ilustrações, letras desenhadas, impressões por meio de stencil e serigrafia, recorte de papel e a encadernação. Quanto ao conteúdo textual, este foi produzido por Oriel Frigo, que se propôs a apoiar o projeto ao contribuir com reflexões sobre o Craft relacionando-o a outros temas, como questões históricas e de comportamento, relações de trabalho, ativismo e feminismo.

Buscou-se produzir o livro da forma mais artesanal possível com os recursos que se tinha. Sendo assim, eu produzi todos os desenhos, o stencil, o papel reciclado da primeiro página, a impressão (serigrafia) no papel reciclado e na capa, assim como o bordado e o revestimento com tecido e a encadernação. Não consegui imprimir o miolo em serigrafia, pois eu não tinha o material adequado para o nível de detalhamento, então foram impressas em serigrafia por uma empresa especializada. O resultado do trabalho pode ser conferido abaixo.

Para quem tiver interesse em conhecer a comunidade Craft, estes temas são abordados em textos breves divididos em cinco capítulos, com os seguintes títulos: Introduzindo o Craft; A nova onda do Artesanato; Craft e as relações de trabalho; Craftivismo; Craft e Feminismo.
Além disso, o título escolhido para o livro foi “Craft: Uma nova rede de artífices”, em que o título principal evidencia o assunto tratado no material, enquanto o subtítulo relaciona a forma como esta comunidade de artífices interage, como uma rede ligada a vários pontos que transmite informações, o que pode facilmente estar relacionado à internet e que certamente representa o Craft na era da informação.

Obs.: A versão virtual é a digitalização do material impresso. Então o aspecto ficou bem diferente do real. Quem tiver a oportunidade de ir no departamento de design da Univille, pode conferir o modelo fisicamente.

LUPTON, Ellen. D.I.Y.: Design It yourself. New York: Princeton Architectural Press, 2006.

sapatinhos surpresa

É muito comum dar importância àquilo que não está mais ao alcance, coisas do passado, pessoas que se foram. Quando as coisas ainda fazem parte do presente, é mais conveniente deixar o interesse para outro momento. Uma hora mais apropriada e que talvez nunca chegue.

Sempre admirei meu avô, pelo seu jeito simples de viver a vida, pela criatividade de criar objetos com o que estava a sua volta e para fazer consertos caracterizados pela gambiarra. Tinha grande consideração pelo seu modo de pensar sobre o mundo e sua paixão por conhecimento, pois mesmo tendo completado apenas a segunda série do fundamental no ensino formal, ele nunca parou de estudar. Estava sempre lendo livros e entendia de todos os assuntos. Era também apreciador da música, pricipalmente de velhos sambas como o de Noel Rosa, e teve pela década de 40, um conjunto musical com o qual tocava e cantava em diversos bares nas noites de São Paulo. Porém, o que talvez mais me instigou foi sua habilidade artesanal. Sua profissão era sapateiro, mas já havia se aposentado quando eu nasci. No entanto, no tempo em que convivi com ele sempre o via trabalhando com madeira, desenhando nela e talhando para fazer quadrilhos. Tudo o que ele fazia era com paixão. Acredito que por tudo isso que hoje o artesanato me atrai tanto.

Sei muitas coisas sobre ele, mas não profundamente. Sempre achei que teria aquele momento apropriado para conversar com ele. Há alguns meses eu perdi todas as oportunidades e nesse meio tempo minha família tem vasculhado as coisas dele para reorganizar a casa. Foi numas dessas idas a sua mini oficina que escontrei uma caixinha com sapatinhos. Ele tinha o costume de fazer miniaturas, como cadeirinhas e escadinhas de madeira e animaizinhos com o miolo de pão. Porém, não conhecia seus sapatinhos, havia visto nos ultimos meses um deles no criado mudo de seu quarto. Foi uma surpresa encontrar o restante na caixinha. Mesmo não tendo conhecido seu trabalho de sapateiro, agora pude conhecer a versão mini do que seria os sapatos que ele fazia. Apesar de não ter acompanhado o seu trabalho de perto e de não ter trocado mais ideias com ele, me sinto satisfeita de encontrar coisas como estas e ter boas lembranças dele.

alguns modelos não foram acabados. para fazer a modelagem ele usava esses moldes feito em madeira.

para finalizar, uma foto dos meus avós.