nossos pratos

Só pra não perder o costume, deixo aqui mais algumas ideias de pratos.

O primeiro é clássico aqui em casa. Arroz, purê de batata, farofa de farinha de mandioca com alho refogado, e champignon paris picado e refogado na cebola e shoyu.

pure-farofa-champs

Segunda opção, não tão clássica. Vagem com pimentão vermelho refogados com alho, batata ralada e cebola assados no forno, champignon paris inteiro também assado no forno, e o substituto do arroz: grãos de “sarrasin” com avelã.

mistureba-vagem

Boa inspiração!

identificação de cogus em Rennes

Estamos no meio do outono, um dos melhores momentos para ir atrás de cogumelos na floresta. No último sábado (02/10), aproveitamos uma carona para ir até a floresta mais próxima daqui, a Forêt Domaniale de Rennes, na cidade de Liffré.

Geralmente os melhores dias para fazer isso é no primeiro dia de sol após uns dias de chuvas. A umidade e o calorzinho do sol faz com que os cogumelos brotem. Tem o fator da lua também, mas sobre isso ainda não li o bastante. Porém, esse último sábado não estava dos melhores. Havia chovido durante a semana, mas o sol não saiu direito e logo no começo da tarde a chuva voltou. Chegamos na floresta já sem sol e bem molhada. Como havia bastante folhas no solo não tivemos problemas com lama.

Então fomos atrás dos Bolets, um tipo de cogumelo que já haviam nos informado que era o mais fácil de encontrar nesta floresta e que era seguramente comestível. Não tirei fotos lá e na mesma noite já devoramos tudo num jantar entre amigos. Por isso vou usar um link da internet pra mostrar qualé desse cogumelo. Essa cor esverdeada é meio estranha, mas é assim mesmo. Depois que cozinha fica só marrom. Bom, como não era um dia ideal, conseguimos alguns poucos e a maioria já estava detonada, mas usamos mesmo assim.

Dos outros cogumelos que encontramos por lá, a maioria ninguém sabia dizer qual era comestível ou não. Resolvemos pegar tudo pra fazer uma pesquisa em casa. Assim da próxima vez que formos na floresta já vamos saber quais pegar. Depois de um bom tempo jogando as características no google, conseguimos identificar alguns tipos, que se encontram na imagem a baixo.

congus-rennes

Como levamos dois dias para encerrar a pesquisa, quando tirei essa foto a maioria já tinha perdido a aparência fresca, alguns desbotaram, outros escureceram…
Por isso peguei a foto que tirei no mesmo dia da coleta com todos os cogumelos juntos e destaquei os que conseguimos identificar.

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Destes descobrimos que alguns podem cair mal no estômago, como o “Russula emetica” (o vermelhinho), e outros que supostamente podem até matar, como o “Cortinarius orellanus” (o laranja de baixo).

Como comestível dá para destacar o “Laccaria amethystina” (roxinhos a esquerda) e o “Chalciporus piperatus” (o terceiro da linha superior) que tem como característica um sabor apimentado.

Outro importante é o “Piptoporus betulinus” (canto superior direito), que apesar de não ser recomendado para a alimentação, têm propriedades farmacêuticas, servindo como antibacteriano, anti-diarreico, anti-inflamatório.

Bom, como a maioria acabou envelhecendo não pudemos aproveitar suas utilidades. Ao menos agora já estamos um pouco mais preparados para a próxima coleta de cogumelos :)

pimentão recheado com champignon

Mais um prato com champignon, porque eu adoro!! No Brasil é caro :/
Então agora de volta a França, estou aproveitando (:

Rango bem fácil esse.

1 pimentão verde grandinho, uns 10 champignons frescos médios, 1 dente alho grande e sal.

champignon-pimentao

O champignon:

Lavei, tirei a pontinha do estipe (caule) e cortei em fatias grossas. Refoguei o alho no azeite e juntei os champignons. Coloquei um pouco de sal, pimenta e um pouco mais de azeite e deixei amolecer até criar um caldo escuro do próprio champignon.

O pimentão:

Depois de cortar a ponta do pimentão e tirar as sementes, dei uma esquentada na panela pra dar uma tostada por fora e não amolecer tanto (rola deixar mais molinho, refogado e tal. Mas eu preferi deixar mais fresco pra não perder a textura croc do pimentão.

A ordem não tem muita importância. No fim recheie o pimentão e deixe mais um pouquinho na panela pra servir quentinho.

pimentao-recheado

Servi então com umas rodelas de rabanete e fiz um couscous com ervas pra acompanhar.

pimentao-recheado-prato

Ainda usei o pimentão e rabanete que peguei na récup da última feira!

champignon + repolho

Aí vai uma sugestão, ou melhor, duas sugestões pra quem tiver repolho e champignons frescos em casa.

Rechear é a ideia principal. No primeiro caso usei champignos frescos, retirei os estipes (o “caule” do cogumelo) e botei pra assar com azeite+sal em forno médio por cerca de 20 minutos. Numa panela, refoguei o repolho com cebola e temperei com gengibre+sal+orégano. No fim recheei os cogus com o repolho.

No segundo caso, usei as sobras (estipes) dos champinons retiradas antes – Dá pra usar o champignon inteiro. A textura do chapéu é mais macia, enquanto o estipe é mais seco e firme. Deixei de molho no shoyo (bem pouco, só pra umedecer), refoguei a cebola, juntei as sobras do champignon e temperei com um pouco de pimenta. E pra terminar despejei o refogado em uma folha de repolho crua.

É isso, bem simples, leve e gostoso :)

E só pra terminar, experimentei pela primeira vez uma Ginger beer, uma bebida inglesa fermentada com gengibre. É bem suave e de baixo teor alcoólico, praticamente um refrigerante hehe Apesar disso achei bem gostoso.

amanita muscaria no jantar

Com a quantidade de amanita muscaria encontrada pelas ruas na Finlândia, não teria como não nos interessarmos por esse belo fungo de cor vibrante, tão presente na cultura do entretenimento infantil (desenhos animados, games, etc.). Então fomos, eu e Oriel, em busca da origem e formas de utilização desse cogumelo. Mais pra frente, o Oriel vai falar no seu blog sobre os mitos, efeitos psicoativos e a presença simbólica desse cogumelo na religião e cultura popular. E no caso eu, vou falar aqui sobre nossa experiência culinária :)

Nos últimos anos, posso dizer que cogumelos foi uma das minhas melhores descobertas na cozinha. Suas texturas e gostos me agradam demais. Então, quando me vi aqui rodeada por estes (de graça, esperando para serem colhidos) não hesitei em experimentar.

A ideia de postar sobre esse cogumelo é mais para desmistificar a crença de que esse tipo de cogumelo não é comestível de jeito nenhum, que você vai parar no hospital e etc., argumentos muitas vezes utilizado até pelos finlandeses, que convivem com eles dia-a-dia nos bosques e ruas da cidade.

Antes de mais nada, amanita muscaria é sim tóxica, porém não o bastante para te matar. É possível ter efeitos como náuseas, vômitos e até alucinações. Porém, se não é isso o que você procura, a única coisa que é preciso fazer é desintoxicar :)

O processo é bem simples. Lavar e retirar os pontinhos brancos, ferver com uma boa quantidade de água e sal por cerca de 15 minutos, trocar a água e cozinhar por mais uns 3 ou 5 minutos. O que vai acontecer é que as substâncias vão sair na água, descolorindo o cogumelo e deixando a água amarelada. Pois é, seria bem mais interessante se ele continuasse com o aspecto inicial, mas é a consequêcia do processo. No fim do post vou deixar alguns links com mais explicações e um vídeo.

Então, depois da desintoxicação, nós assamos os cogus com azeite de oliva, orégano e pitadas de sal. E pronto, douradinhos e deliciosos… e sem nenhum efeito colateral :)

links:

vídeo com exemplo de desintoxicação: http://www.youtube.com/watch?v=T1MZSRnMmxA

relato sobre o encontro com o cara que escreveu um artigo desmistificando o cogunelo: http://fat-of-the-land.blogspot.fi/2010/12/down-rabbit-hole-with-david-arora-part.html

mais um relato: http://honest-food.net/2011/12/24/eating-santas-shroom/

Todos os links são em inglês, pois não encontrei outros interessantes em português :(

paqueca com funghi

Esta receita a gente (eu e oriel) já fez há algum tempo. Como não pegamos de uma receita pronta, não lembro exatamente os passos. Mas o que vale é a idéia, cada um pode modificar de acordo com seu gosto, pelo menos é assim que a gente costuma fazer.

Ingredientes:

A massa: Existem várias receitas de panqueca. Você pode escolher a da sua preferência. A mais comum acho que vai trigo, leite e sal.

O recheio:

  • 1 ou mais dentes de alho
  • 1 cebola média
  • 1 pote de funghi desidratado (deixar de molho por 1 hora)
  • shoyo a gosto
  • curry
  • pimenta
  • azeite de oliva
  • queijo mussarela ralado
  • folhas de manjericão fresca

Preparo:

Deixe a mistura da massa pronta e enquanto estiver cozinhando o recheio vá preparando as panquecas.

Em uma panela doure o alho e a cebola com azeite. Coloque o shoyo e depois junte o funghi com o curry e pimenta. Cozinhe até o funghi pegar o gosto.

Em um recipiente espalhe as panquecas e coloque o queijo ralado por cima. Depois despeje o molho de funghi pronto e coloque o recipiente no forno por 10 minutos para gratinar. No fim decore com folhas de manjericão.

Se preferir enrole as panquecas com o recheio.