L.A.P. Lycée autogéré de Paris (Escola Autogerida de Paris)

* Divulgando descobertas pela internet *
L.A.P. é uma escola secundária pública autogerida que existe há mais de 30 anos em Paris.  250 estudantes e 25 professores decidem juntos todos os aspectos do estabelecimento. Repartidos em 8 grupos de base, toda semana cada grupo discute e vota questões de orçamento e práticas. Assembléias gerais são frequentes. Os grupos também são responsáveis pela manutenção e limpeza de alguma parte da escola. Todos põem a mão na massa. A escola tem o princípio de livre frequentação, em que a presença do estudante nas aulas não é obrigatória, e faltas não são penalizadas. Para os professores, assalariados pela educação nacional, é indispensável o comprometimento com as diversas tarefas. Já os estudantes, são encorajados a participar. Além disso, não existe o sistema de notas. Os estudantes fazem a sua própria avaliação a partir de uma cartilha de educação feita pelos professores, sendo uma forma de se concentrar mais no conhecimento do que nas notas. No lugar da autoridade, neste escola os estudantes encontram a responsabilidade. Quando criada, em 1982, a escola foi considerada pelo Ministério como um observatório do sistema educativo francês, e poderia contribuir para uma compreensão da educação nacional.  Porém, atualmente no país, a cada ano cerca de 140.000 estudantes abandonam as escolas, o que demonstra uma falha no sistema educativo tradicional. A L.A.P. acaba sendo uma alternativa para alguns destes estudantes. Direcionada à adolescentes e jovens de 15 à 21 anos, alguns destes vêem a escola como uma segunda chance, porém outros a entendem como uma alternativa a um sistema excludente e que não compreende as necessidades de cada indivíduo. mais info: http://www.l-a-p.org/ http://www.tourdefrancedesalternatives.fr/alternatives/ecole-de-la-democratie/ http://fr.wikipedia.org/wiki/Lyc%C3%A9e_autog%C3%A9r%C3%A9_de_Paris http://editionsrepas.free.fr/editions-repas-livre-une-fabrique-de-libertes-le-lycee-autogere-de-paris.html#page

noite vegetariana | kasvisruokailta

Na última semana, passando por um dos murais da universidade, me deparei com um cartaz que me chamou atenção por ser diferente dos outros. Desenhado e pintado à lápis e com colagem de letras de revista – fazia tempo que não via um desses. Se fosse depender dos textos ia me passar despercebido já que sei quase nada de finlandês. No entanto vendo as figuras, de primeira achei que era algo relacionado a comida e pelos alimentos usados tinha chance de ser vegetariano. Quando vi “2 euros”, fui logo tirando uma foto pra traduzir quando chegasse em casa.

E valeu a pena mesmo. Era uma noite vegetariana organizada por um grupo ambientalista de estudantes da universidade. Chegamos lá (eu e o Oriel) e entramos pelos fundos de um prédio comercial no centro da cidade. Fomos recepcionados por uma das meninas que recolheu nossa contribuição. O lugar era tipo um salão de festa de condomínio, e quando entramos o pessoal já estava arregaçando as mangas e pegando os alimentos para cortar.

Eramos os únicos estrangeiros e parecia que todos ali eram conhecidos ou faziam parte do mesmo círculo de amigos, o que nos deixou meio tímidos. Mas logo começaram a falar com a gente em finlandês e ao perceberem que não entendiamos se puseram a falar em inglês e mostraram no que a gente podia ajudar pro preparo do rango.

Esta é uma das coisas legais da Finlândia, todo mundo sabe entre 2 à 4 idiomas, entre eles finlandês, suéco, inglês e russo. Entre os jovens estudantes praticamente todos se comunicam bem em inglês, e apesar de ser um povo tímido (reservado com quem não conhece bem) estão sempre dispostos a ajudar e a conversar quando percebem que o outro está perdido.

Enquanto alguns preparavam os alimentos, outros conversavam no sofá e ainda tinha alguns que iam para a sauna. Sim, o vício dos finlandeses. Tem sauna por todo lugar e parece que toda hora é hora de sauna ;P
O interessante é que apesar do jantar ser vegetariano, percebemos que várias pessoas ali eram oníveras. Dá pra ver que eles acham importante, ainda mais por se tratar de um grupo ambientalista, porém não levam isso 100%. O último dado (2008) que encontrei sobre a população vegetariana na Finlândia era de 3 à 5%. No Brasil, a população vegetariana chega a 9% (2010). Então além da quantidade, a proporção de vegetarianos no Brasil é bem maior. O mais engraçado é que na Finlândia praticamente todos os restaurantes servem pelo menos 1 prato vegetariano (sem origem animal) e no mercado têm várias opções também. Além de não faltar opção, os finlandeses têm boas condições financeiras (a maior parte é como a classe-média alta do Brasil) e o nível de educação é bem alto. Não sei, mas achei curioso.

Mas… finalmente o rango ficou pronto, e o menu foi uma entrada de sopa com croutons, que na verdade eu ainda não tenho certeza do que era, pois não era um gosto familiar. Lembrava algumas dessas raízes que temos no Brasil e pelo o que eu pesquisei é chamado de tupinambo, em português. Eu curti :)

O segundo prato foi um refogado de batata, cenoura, beterraba e cebola, mais seitan frito e um molho delicioso de champignon.

E de sobremesa foi um caldo de frutas vermelhas com um pudim de leite de côco.

(As fotos não tão muito boas, pois são de celular)

Olha, repeti em todos os pratos e fiquei cheiassa. Tava bem bom, além de conhecer o pessoal e trocar umas ideias :)  E tudo por 2 euros (±5 reais), bem em conta considerando estar na Finlândia.

Além do mais, achei bem legal a ideia de organizar um jantar que a galera colabora junto. Acho que muitas vezes as pessoas desanimam de organizar esses jantares pois dá muito trabalho, mas com cada um fazendo um pouco fica bem mais prático, a galera interage mais e ainda aprende como preparar os rangos.

amanita muscaria no jantar

Com a quantidade de amanita muscaria encontrada pelas ruas na Finlândia, não teria como não nos interessarmos por esse belo fungo de cor vibrante, tão presente na cultura do entretenimento infantil (desenhos animados, games, etc.). Então fomos, eu e Oriel, em busca da origem e formas de utilização desse cogumelo. Mais pra frente, o Oriel vai falar no seu blog sobre os mitos, efeitos psicoativos e a presença simbólica desse cogumelo na religião e cultura popular. E no caso eu, vou falar aqui sobre nossa experiência culinária :)

Nos últimos anos, posso dizer que cogumelos foi uma das minhas melhores descobertas na cozinha. Suas texturas e gostos me agradam demais. Então, quando me vi aqui rodeada por estes (de graça, esperando para serem colhidos) não hesitei em experimentar.

A ideia de postar sobre esse cogumelo é mais para desmistificar a crença de que esse tipo de cogumelo não é comestível de jeito nenhum, que você vai parar no hospital e etc., argumentos muitas vezes utilizado até pelos finlandeses, que convivem com eles dia-a-dia nos bosques e ruas da cidade.

Antes de mais nada, amanita muscaria é sim tóxica, porém não o bastante para te matar. É possível ter efeitos como náuseas, vômitos e até alucinações. Porém, se não é isso o que você procura, a única coisa que é preciso fazer é desintoxicar :)

O processo é bem simples. Lavar e retirar os pontinhos brancos, ferver com uma boa quantidade de água e sal por cerca de 15 minutos, trocar a água e cozinhar por mais uns 3 ou 5 minutos. O que vai acontecer é que as substâncias vão sair na água, descolorindo o cogumelo e deixando a água amarelada. Pois é, seria bem mais interessante se ele continuasse com o aspecto inicial, mas é a consequêcia do processo. No fim do post vou deixar alguns links com mais explicações e um vídeo.

Então, depois da desintoxicação, nós assamos os cogus com azeite de oliva, orégano e pitadas de sal. E pronto, douradinhos e deliciosos… e sem nenhum efeito colateral :)

links:

vídeo com exemplo de desintoxicação: http://www.youtube.com/watch?v=T1MZSRnMmxA

relato sobre o encontro com o cara que escreveu um artigo desmistificando o cogunelo: http://fat-of-the-land.blogspot.fi/2010/12/down-rabbit-hole-with-david-arora-part.html

mais um relato: http://honest-food.net/2011/12/24/eating-santas-shroom/

Todos os links são em inglês, pois não encontrei outros interessantes em português :(

stencil

Vou mostrar aqui um pouco do processo e resultado que tive com a técnica de gravura stencil. Este trabalho foi feito em 2011 para meu TCC, sendo uma das ilustrações do projeto gráfico de um livro. A ilustração é derivada desta imagem e foram produzidos dois moldes para representá-la com variação de tom. O stencil oferece um resultado interessante, além de ser uma técnica simples e barata para fazer impressão.

É indicado fazer o molde com uma folha de gramatura mais alta para resistir às aplicações de tinha. Pode-se utilizar materiais impermeáveis também como radiografias descartadas, porém para imagens mais detalhadas sugiro o papel.

Aplicação em papel vegetal:

Craft: Uma nova rede de artífices

Vou tentar fazer um resumo do meu trabalho de conclusão na graduação de design apresentado na última semana, que se chama: Projeto gráfico-editorial sobre Craft com aplicações de técnicas artesanais, que se trata do projeto e produção do livro Craft: Uma nova rede de artífices.

Contexto

O avanço das redes de computadores tem sido um grande agente estimulador de mudanças de comportamento, principalmente no que se refere às atitudes de colaboração, compartilhamento, pró-atividade e auto-exposição. Esta situação provavelmente se associa a um comportamento notável em que Lupton (2006) examina que em todos os lugares pessoas têm produzido suas próprias coisas com diferentes fins, seja por economia, satisfação estética ou pela independência das grandes corporações. A autora destaca que o princípio destas motivações de práticas e políticas se concentra no prazer em desenvolver uma ideia, concretizá-la e compartilhar essas experiências.  A associação que se faz com a internet ocorre por esta motivar a liberdade e a autonomia, o que estimula a repetição destas posturas em outras atividades em que a produção é acessível. Esta iniciativa por um consumo alternativo em que a pessoa participa da produção de sua própria mercadoria tem origem no “faça você mesmo”, filosofia que se baseia no sentido não denotativo de “produzir com as próprias mãos”, em que não há a necessidade de ser especialista no assunto, mas ter o simples objetivo de aprender e fazer acontecer.  Entende-se que este comportamento sai do âmbito da internet e se transpõe para a vida real por meio da valorização de uma vida mais simples em contraste com as novas tecnologias, no qual o “faça você mesmo” e a prática artesanal aparecem como pontos relevantes dessas mudanças. É a partir disto que o trabalho esteve embasado, no qual o Craft, ao exaltar a importância do artesanato criativo, conseguiu força através de um instrumento de tecnologia, a internet.

Conceito

O trabalho tem como objetivo desenvolver o projeto gráfico-editorial para o livro Craft: uma nova rede de artífices, em que é abordada a comunidade Craft – prática que valoriza o artifício da produção criativa e a filosofia do “faça você mesmo” ao propor um renascimento do artesanato tradicional.

Como princípio tem-se a valorização da prática em projetos de design a fim de promover a aprendizagem por meio de técnicas manuais e artesanais.

Além de conceitos relacionados ao Craft, há também o conceito de experimentação no design que é explorado a partir de técnicas artesanais e materiais não habituais no design gráfico, e assim busca-se evidenciar a importância do processo no desenvolvimento de projetos.

Projeto

No que se refere ao conteúdo visual do livro, o conceito se torna visíveis por meio dos elementos editoriais como ilustrações, letras desenhadas, impressões por meio de stencil e serigrafia, recorte de papel e a encadernação. Quanto ao conteúdo textual, este foi produzido por Oriel Frigo, que se propôs a apoiar o projeto ao contribuir com reflexões sobre o Craft relacionando-o a outros temas, como questões históricas e de comportamento, relações de trabalho, ativismo e feminismo.

Buscou-se produzir o livro da forma mais artesanal possível com os recursos que se tinha. Sendo assim, eu produzi todos os desenhos, o stencil, o papel reciclado da primeiro página, a impressão (serigrafia) no papel reciclado e na capa, assim como o bordado e o revestimento com tecido e a encadernação. Não consegui imprimir o miolo em serigrafia, pois eu não tinha o material adequado para o nível de detalhamento, então foram impressas em serigrafia por uma empresa especializada. O resultado do trabalho pode ser conferido abaixo.

Para quem tiver interesse em conhecer a comunidade Craft, estes temas são abordados em textos breves divididos em cinco capítulos, com os seguintes títulos: Introduzindo o Craft; A nova onda do Artesanato; Craft e as relações de trabalho; Craftivismo; Craft e Feminismo.
Além disso, o título escolhido para o livro foi “Craft: Uma nova rede de artífices”, em que o título principal evidencia o assunto tratado no material, enquanto o subtítulo relaciona a forma como esta comunidade de artífices interage, como uma rede ligada a vários pontos que transmite informações, o que pode facilmente estar relacionado à internet e que certamente representa o Craft na era da informação.

Obs.: A versão virtual é a digitalização do material impresso. Então o aspecto ficou bem diferente do real. Quem tiver a oportunidade de ir no departamento de design da Univille, pode conferir o modelo fisicamente.

LUPTON, Ellen. D.I.Y.: Design It yourself. New York: Princeton Architectural Press, 2006.

feltro | panda


Marcador de página para agenda no formato do rosto de um panda, feito em feltro.

1 desenho para se basear

2 parte de trás e da frente com orelhas e as partes do rosto

3 costurar todas as partes e fazer acabamento

4 enchimento

5 prender fita na agenda e no panda

6 marcador na agenda

ver foto detalhe

luminária feita com cds

Este projeto foi feito em 2008 para a matéria de meios de representação do curso de design.

A proposta era construir uma lumirária e que sua forma fosse seccionada.

Eu não sabia ainda que material usar até que me deparei com uma caixa com dezenas de cds de uma versão desatualizada do ubuntu e que iriam ser descartados. Peguei a caixa e começei a pensar em como montar uma luminária com aquilo. Pensei em colocar uma lâmpada entre o buraco do cd, mas não encontrei uma lâmpada tão estreita.

Como na universidade tem uma oficina de marcenaria, a solução era aproveitar as maquinas para cortar o material. Juntei os cds e montei uma forma em que eles se encontrassem e que teria espaço para encaixar a lâmpada. Risquei o corte para cada cd e levei na marcenaria onde cortei um por um (cerca de 50 peças).

Depois de cortados, veio a hora de montá-los.

Entre um cd e outro usei pedaçinhos de e.v.a. de 2mm colados com “super bonder”, deixando espaço suficiente para a luz sair.

Todos os cds têm que ser colocados seguindo uma ordem (ex: horária), pois precisam ser encaixados. Caso contrário, pode ocorrer um espaço maior entre eles em alguma parte.

Nos 3 últimos cds é interessante colar um papel estampado ou decorar da forma que preferir antes de colar com os outros cds.

Depois vem a parte elétrica. O materiais básicos são: uma lâmpada que não esquente muito e no formato que entre no buraco da luminária, o  soquete, o fio, o plug e as ferramentas para instalar.

Para a base utilizei uma caixa quadrada de papelão. Fiz um orifício no diametro do soquete para ele ficar fixo.

Depois de tudo montado o resultado ficou assim:

E aí está o teste pra ver se ilumina mesmo.

patch bordado a mão

vou mostrar agora como se faz este patch.

é simples, mas vou explicar pra quem quiser aprender.

material:

  • papel
  • caneta
  • pedaço de tecido
  • agulha
  • fio (de preferência mais grosso que a linha de costura)
  • tesoura

desenhe na folha o que quiser bordar, irá servir como apoio na hora de bordar o tecido.

se o tecido for escuro, pode desenhar nele pra seguir as linhas.

neste caso foi feito dois tipos de costura que abaixo tentei ilustrar: a linha preta representa o tecido visto de lado, a linha rosa o fio, as flexas o percurso.

o primeiro caso é o ponto alinhavo em que o fio entra e sai do tecido formando um tracejado.

no segundo caso o espaço entre o tracejado tem que ser tampado, para isso tem que dar uma volta a mais no mesmo ponto para fechar.

então, comece fazendo um nó e veja se está firme. vá seguindo as linhas do desenho na ordem que achar melhor.

no final o resultado do bordado ficará parecido com este.

Pinhole

Vou iniciar este blog falando sobre uma atividade que realizei essa semana.

Sou estudante do curso de Design aqui em Joinville e Fotografia está entre as matérias que cumpro (com prazer). A seguir vou falar sobre a atividade realizada e mostrar o resultado.

Pinhole é uma forma de fotografar sem usar lente, onde precisa-se apenas de um recipiente fechado (caixa ou lata, por exemplo) que impeça a entrada de luz, agindo como uma câmera escura. Esse recipiente deve conter um orifício (que só será aberto no momento da captura da imagem fotografada) e um filme ou papel fotográfico, que registrará a imagem.

A palavra pinhole vem do inglês e significa “buraco de alfinete”, porém o tamanho do orifício pode variar de acordo com o tamanho do recipiente e a distância que ele mantém do papel/filme. O meu foi feito com alfinete em uma lata.

A tampa da lata era de plástico, por isso foi fixado um pedaço de papel cartão e colocado fita isolante. Depois deve-se pintar todo o interior com tinta preta fosca.

Foi feito um orifício maior na lata com uma furadeira. Então tive que recortar um pedaço de lata de alumínio e fixar em cima do buraco maior para poder furar o alumínio com um alfinete. A fita isolante serve como obturador.

Papel fotográfico em negativo. Abaixo estão as fotos invertidas.

2ª tentativa, pois a 1ª deixei pouco tempo exposta e não pegou nada.

3ª tentativa, ficou meio borrado.

4ª tentativa, ficou muito borrado.

O resultado ficou bem modesto, mas valeu a experiência.