ah o Mediterrâneo… sempre salvando nosso verão.

O verão está quase acabando na europa, e finalmente conseguimos tirar duas semanas de férias neste mês de agosto.

Porém aproveitar o verão no oeste da França não é fácil. A Bretagne é o estado da França com a maior faixa litorânea, cercado por água no norte, sul, e oeste. Seria o lugar perfeito para curtir uma praia. O problema é que o clima não ajuda nada.Durante o verão são raros os dias que a temperatura passa os 25 graus, além das águas geladas e dos ventos. Tolerável pra quem vive aqui, mas não pra gente que fica na espera de um verão tropical.

Solução mais próxima: sul da França, mas nada melhor que conhecer um país novo. Então, um pouquinho mais abaixo chegamos à Catalunya!

Mais de 1000 km pela frente, a ideia foi fazer a viagem por partes. Mas programar viagem encima da hora sai caro. Também não tínhamos tempo suficiente pra nos aventurar pedindo carona na estrada. A opção mais em conta nessas horas é a “covoiturage” (carona paga). Tem um site onde a galera que viaja de carro anuncia as vagas que tem em seus carros, elas propõe um trajeto e quem se interessa reserva, e marca um lugar de “embarque” e “desembarque”. E funciona mesmo encima da hora.

De malas feitas, saímos de Rennes meia noite. Dormimos a noite inteira no carro e chegamos perto das 8h00 em Narbonne, no sul da França. Nossa próxima carona ia sair de lá as 18h00. Tínhamos 1 dia para um rolê na cidade.

Catedral que nunca foi acabada. Em estilo gótico, começou a ser construída no século XIII.

Catedral que nunca foi acabada. Em estilo gótico, começou a ser construída no século XIII.

Dando uma volta pelo centro, conhecemos a cidade rapidamente. Ainda assim, o tempo era apertado, e pegamos um ônibus para ver a praia. Nada de muito especial e nem estava quente o bastante para querer entrar na água. Partimos então para Barcelona. Nosso sonho de verão.

Chegamos em Barcelona umas 21h00 e passamos a primeira noite no albergue de jovens. No dia seguinte demos umas voltas sem rumo pela cidade antes de ir para o acampamento na cidade vizinha de Gavà.

Nem preciso dizer que a cidade é linda, só a praia do centro mesmo que não é das melhores, no estilo praia urbana. Não é a toa que escolhemos um acampamento de frente pro mar, pelas redondezas de Barcelona. Enfim, terminando o dia, fomos pra Gavà. Chegamos no acampamento já de noite, e na escuridão ficamos um bom tempo quebrando a cabeça até conseguir montar nossa barraca. Abaixo, registro pós momento tenso.

Longe da cidade, sem computador, sem celular (até pq o do ori foi roubado lá haha), resumindo, só com o básico, tudo pra poder relaxar.

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Ah e que gostosos foram esses dias, dormindo juntinhos na barrada, abrindo ela demanhã e vendo o sol brilhar acima das árvores, indo pra praia e tomando uma cervejinha gelada na areia.

Bom, mas uma hora a gente tinha que lembrar que estávamos do lado de Barcelona e que era hora de um rolê urbano.

Continuando à toa pelas rua de Barcelona, sem querer esbarramos num restaurante vegan, o Veggie Garden. Não pensamos duas vezes e acabamos almoçando ali mesmo, entrada+prato+sobremesa+vinho saiu por € 8,50. Nada mal. E depois, mais umas voltas pelo bairro gótico, não entramos em quase nenhum ponto turístico, pois tudo era pago e caro. No fim da tarde subimos o morrão do bairro Gràcia, um dos mais legais de Barcelona, pra então chegar no parque Güell, mais um pico pra turista rico. Soube que antes as paradas não eram pagas, e não sei porque agora tá rolando isso. Por todas as entradas do parque era possível ver mensagens de boicote ao local, que antes era aberto à todos e agora só serve à uma pequena parcela burguesa. Do alto do morro, a vista da cidade. Encostado ao morro o teto de um squat representando a resistência local.

De volta ao nosso cantinho calmo, no dia seguinte fomos pro centrinho da cidade de Gavà. Batemos um rango numa lanchonete de empadas artesanais. Não deu pra resistir quando passei em frente e vi o senhor amassando a massa fresquinha. Pra terminar o dia, mais praia!

Último dia em Barcelona foi ao lado de uma agradável companhia. A Giulia foi uma colega de faculdade que está vivendo em Barcelona no momento. Nos levou pra comer tapas deliciosas, dar rolezinho no parque da Ciutadella, passando na praia de barceloneta e terminando no bairro Gràcia, a parte mais surpreendente do dia. Tivemos a sorte de estar lá bem no final de semana que começa a Festa Major, a festa popular mais importante de Barcelona e que acontece pelas ruas do bairro. Porém, tivemos o azar de partir bem na véspera da festa que inicia oficialmente 15 de agosto, feriado religioso. Ao menos, pudemos ter um gostinho do que acontece durante a festa. Todo ano as ruas são decoradas com materiais reciclados pelos próprios moradores, conseguimos ver algumas montagens e o pessoal trabalhando super empenhados. Na sorte ainda conseguimos ver uma demonstração de Castells, o castelo humano, que é uma manifestação bem tradicional na Catalunya.

Por fim, às 4 da manhã pegamos nossa penúltima carona de volta pra casa, chegando meio dia em La Rochelle (sudoeste da França), onde passamos uma noite na casa de nosso amigo Ruy. Cidade portuária e muito bonita, mas totalmente lotada de turistas. Ainda quero voltar lá pra curtir as paisagens.

Enfim, as férias acabaram e agora de volta ao trabalho.

o jardim de Veijo Rönkkönen

Em uma cidadezinha finlandesa na borda com a Russia, no meio de uma estrada deserta, se encontra um curioso jardim cheio de estátuas de figuras humanas em diversas representações. Desde doces crianças dançando em um desfile até personagens macabros com dentes humanos.

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Veijo Rönkkönen (1944-2010) trabalhava na produção de celulose da cidade (Parikkala), mas por cerca de 50 anos se dedicou as suas esculturas no jardim de sua casa. Seu trabalho é considerado o mais importante da arte folclórica finlandesa. Diversos interessados apareceram para comprar suas estátuas e outros surgiram com a intenção de tornar o seu jardim um parque turístico. Mas ele nunca quis vendê-las e não aceitava que cobrassem pela entrada em seu jardim. A única coisa que ele fazia questão é que quem passasse por lá assinasse seu livro de visitas.

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Já faz um mês que visitei o parque de esculturas de Parikkala. Posso dizer que foi um dos lugares mais impressionantes que visitei na Finlândia. O cenário de inverno é bem interessante pela interação que rola entre as esculturas e o meio, no caso a neve cobrindo partes das estátuas e deixando o clima mais misterioso. O único problema mesmo é aquentar o frio. No inverno não tem nada aberto por perto, então sem lugar pra se aquecer a visita foi mais rápida do que eu gostaria. Vai ser difícil voltar algum dia lá, mas acredito que o verão é uma das melhores épocas pra visitar o parque, com a vegetação crescida e a temperatura amena. Também porque costuma rolar saraus e eventos festivos, o que deve dar um outro clima.

Um outro problema é o acesso ao parque. Ele fica bem afastado do centro da cidade e não tem nenhuma linha de ônibus que passa por lá, apenas alguns ônibus de viagem. Acabamos pegando um taxi no centro, que pela distância acabou saindo caro pra nós (€40 ida e volta). Por isso talvez seja melhor ir em grupo pra dividir essas despesas.

mais fotos aqui.

Parikkalan patsaspuisto, Finland.

bebidas | montagens

Nos últimos meses, trabalhando no GrupoDez,  fiz uma série de montagens para o catálogo de bebidas produzidas pela Multidrink do Brasil. Eu nunca havia trabalhado muito com montagens, mas mesmo não tendo muita experiência eu me diverti fazendo estas. Vou compartilhar alguns resultados com estes gifs pra mostrar o processo.

tem mais algumas montagens aqui

sapatinhos surpresa

É muito comum dar importância àquilo que não está mais ao alcance, coisas do passado, pessoas que se foram. Quando as coisas ainda fazem parte do presente, é mais conveniente deixar o interesse para outro momento. Uma hora mais apropriada e que talvez nunca chegue.

Sempre admirei meu avô, pelo seu jeito simples de viver a vida, pela criatividade de criar objetos com o que estava a sua volta e para fazer consertos caracterizados pela gambiarra. Tinha grande consideração pelo seu modo de pensar sobre o mundo e sua paixão por conhecimento, pois mesmo tendo completado apenas a segunda série do fundamental no ensino formal, ele nunca parou de estudar. Estava sempre lendo livros e entendia de todos os assuntos. Era também apreciador da música, pricipalmente de velhos sambas como o de Noel Rosa, e teve pela década de 40, um conjunto musical com o qual tocava e cantava em diversos bares nas noites de São Paulo. Porém, o que talvez mais me instigou foi sua habilidade artesanal. Sua profissão era sapateiro, mas já havia se aposentado quando eu nasci. No entanto, no tempo em que convivi com ele sempre o via trabalhando com madeira, desenhando nela e talhando para fazer quadrilhos. Tudo o que ele fazia era com paixão. Acredito que por tudo isso que hoje o artesanato me atrai tanto.

Sei muitas coisas sobre ele, mas não profundamente. Sempre achei que teria aquele momento apropriado para conversar com ele. Há alguns meses eu perdi todas as oportunidades e nesse meio tempo minha família tem vasculhado as coisas dele para reorganizar a casa. Foi numas dessas idas a sua mini oficina que escontrei uma caixinha com sapatinhos. Ele tinha o costume de fazer miniaturas, como cadeirinhas e escadinhas de madeira e animaizinhos com o miolo de pão. Porém, não conhecia seus sapatinhos, havia visto nos ultimos meses um deles no criado mudo de seu quarto. Foi uma surpresa encontrar o restante na caixinha. Mesmo não tendo conhecido seu trabalho de sapateiro, agora pude conhecer a versão mini do que seria os sapatos que ele fazia. Apesar de não ter acompanhado o seu trabalho de perto e de não ter trocado mais ideias com ele, me sinto satisfeita de encontrar coisas como estas e ter boas lembranças dele.

alguns modelos não foram acabados. para fazer a modelagem ele usava esses moldes feito em madeira.

para finalizar, uma foto dos meus avós.

Pinhole

Vou iniciar este blog falando sobre uma atividade que realizei essa semana.

Sou estudante do curso de Design aqui em Joinville e Fotografia está entre as matérias que cumpro (com prazer). A seguir vou falar sobre a atividade realizada e mostrar o resultado.

Pinhole é uma forma de fotografar sem usar lente, onde precisa-se apenas de um recipiente fechado (caixa ou lata, por exemplo) que impeça a entrada de luz, agindo como uma câmera escura. Esse recipiente deve conter um orifício (que só será aberto no momento da captura da imagem fotografada) e um filme ou papel fotográfico, que registrará a imagem.

A palavra pinhole vem do inglês e significa “buraco de alfinete”, porém o tamanho do orifício pode variar de acordo com o tamanho do recipiente e a distância que ele mantém do papel/filme. O meu foi feito com alfinete em uma lata.

A tampa da lata era de plástico, por isso foi fixado um pedaço de papel cartão e colocado fita isolante. Depois deve-se pintar todo o interior com tinta preta fosca.

Foi feito um orifício maior na lata com uma furadeira. Então tive que recortar um pedaço de lata de alumínio e fixar em cima do buraco maior para poder furar o alumínio com um alfinete. A fita isolante serve como obturador.

Papel fotográfico em negativo. Abaixo estão as fotos invertidas.

2ª tentativa, pois a 1ª deixei pouco tempo exposta e não pegou nada.

3ª tentativa, ficou meio borrado.

4ª tentativa, ficou muito borrado.

O resultado ficou bem modesto, mas valeu a experiência.