Titre de séjour ou Autorização de residência

Nous sommes tous en “transit” permanent. Qu’un homme soit blanc, noir, jaune, peu importe. Il est de toute façon un être potentiellement “exilé”

titre de séjour

Obra de Barthélémy Toguo, exposta no Musée de l’histoire de l’immigration em Paris

“Estamos todos em ‘trânsito’ permanente. Que um homem seja branco, negro, amarelo, pouco importa. Ele é, de qualquer maneira, um ser potencialmente ‘exilado'”, são as palavras de Barthélémy Toguo, o autor da instalação acima. Quem já tentou viver em um país estrangeiro se identificará facilmente com a imagem. Entre folhas de passaporte, carimbos e selos fiscais, o sentimento de insegurança sobre um futuro que fica sempre a mercê da decisão das autoridades.

Já fazem mais de 2 anos que pisei por aqui pela primeira vez. E foi depois de 1 ano que consegui um status que me desse o direito à um documento para trabalhar. Agora, depois de 10 meses esperando, tenho o tal documento em mãos, mas ele vence em dois meses. Então lá vou eu de novo agendar mais uma reunião pra pedir a renovação do documento. Mais tempo, stress e dinheiro. Parece que a ideia é nos fazer lembrar sempre que a gente não passa de imigrantes, ou seres potencialmente exilados, como diria Toguo.

rolê em paris e semana zapatista

Esta última semana estivemos em Paris por conta do doutorado do Oriel. Por coincidência, a mesma semana que aconteceriam diversas atividades em comemoração aos 20 anos do levante zapatista.
Motivados pelo aniversário da revolta, mas também com a intenção de quebrar com o silêncio da mídia, os Comitês de solidariedade com os povos de Chiapas em luta (CSPCL), com os indígenas das Américas (CSIA-Nitassinan), e outros grupos de Paris organizaram este evento para informar e divulgar essa experiência de resistência ao capitalismo que continua firme até hoje. E ao mesmo tempo fazer inspirar, pois em todos os cantos a lógica dominante ainda é de exploração e repressão.

Entre projeções de filmes, documentários, debates, exposição, música e manifestação festiva, conseguimos participar de algumas coisas.
Na terça estivemos numa exposição de fotografias e relatos sobre as escolas autônomas e a “Escuelita”, organogramas sobre o a estrutura das comunidades, direitos básicos e “leis”. Acabei não tirando foto, mas tem uma abaixo do Ori no bar onde rolou a exposição hehe.
Na sexta conseguimos ir na festa da CNT, que começou com a instalação de uma placa comemorativa na entrada do prédio. O local desenvolve solidariedade com a luta das comunidades zapatistas desde 1995 e a placa é em memória à “Aguascalientes” (territoire zapatiste), como o local foi declarado em 1996.
Ainda nesta noite houve projeção do documentário “La Tierra es de Quien la Trabaja”, sobre o Movimiento Unificado Campesino del Agúan que narra a violência e resistência frente aos processos de despejos dessas comunidades. Em seguida rolou um debate sobre gentrificação e a luta para manter os espaços, pois a CNT em Paris também está na batalha para continuar no “33”, local que ocupam desde os anos 70 e que tem uma importância histórica para o movimento operário.
Por fim a noite terminou dançante com o grupo “Cumbia Bamba”, animando geral com um cover de “nunca, pero nunca me abandones cariñito” :P

placas-cnt

e pra finalizar mesmo a semana, o contrôleur apareceu…

IMG_2019 cópia

A parte não tão legal do rolê é que fomos pegos sem bilhete no metro, especificamente em um dos túneis da estação de trêm Montparnasse. Bom, depois de um ano e meio “pulando catraca” na França, uma hora tinha que bobear :(

identificação de cogus em Rennes

Estamos no meio do outono, um dos melhores momentos para ir atrás de cogumelos na floresta. No último sábado (02/10), aproveitamos uma carona para ir até a floresta mais próxima daqui, a Forêt Domaniale de Rennes, na cidade de Liffré.

Geralmente os melhores dias para fazer isso é no primeiro dia de sol após uns dias de chuvas. A umidade e o calorzinho do sol faz com que os cogumelos brotem. Tem o fator da lua também, mas sobre isso ainda não li o bastante. Porém, esse último sábado não estava dos melhores. Havia chovido durante a semana, mas o sol não saiu direito e logo no começo da tarde a chuva voltou. Chegamos na floresta já sem sol e bem molhada. Como havia bastante folhas no solo não tivemos problemas com lama.

Então fomos atrás dos Bolets, um tipo de cogumelo que já haviam nos informado que era o mais fácil de encontrar nesta floresta e que era seguramente comestível. Não tirei fotos lá e na mesma noite já devoramos tudo num jantar entre amigos. Por isso vou usar um link da internet pra mostrar qualé desse cogumelo. Essa cor esverdeada é meio estranha, mas é assim mesmo. Depois que cozinha fica só marrom. Bom, como não era um dia ideal, conseguimos alguns poucos e a maioria já estava detonada, mas usamos mesmo assim.

Dos outros cogumelos que encontramos por lá, a maioria ninguém sabia dizer qual era comestível ou não. Resolvemos pegar tudo pra fazer uma pesquisa em casa. Assim da próxima vez que formos na floresta já vamos saber quais pegar. Depois de um bom tempo jogando as características no google, conseguimos identificar alguns tipos, que se encontram na imagem a baixo.

congus-rennes

Como levamos dois dias para encerrar a pesquisa, quando tirei essa foto a maioria já tinha perdido a aparência fresca, alguns desbotaram, outros escureceram…
Por isso peguei a foto que tirei no mesmo dia da coleta com todos os cogumelos juntos e destaquei os que conseguimos identificar.

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Destes descobrimos que alguns podem cair mal no estômago, como o “Russula emetica” (o vermelhinho), e outros que supostamente podem até matar, como o “Cortinarius orellanus” (o laranja de baixo).

Como comestível dá para destacar o “Laccaria amethystina” (roxinhos a esquerda) e o “Chalciporus piperatus” (o terceiro da linha superior) que tem como característica um sabor apimentado.

Outro importante é o “Piptoporus betulinus” (canto superior direito), que apesar de não ser recomendado para a alimentação, têm propriedades farmacêuticas, servindo como antibacteriano, anti-diarreico, anti-inflamatório.

Bom, como a maioria acabou envelhecendo não pudemos aproveitar suas utilidades. Ao menos agora já estamos um pouco mais preparados para a próxima coleta de cogumelos :)